O Pedagogo, na Educação Básica, pode assumir tanto a função de coordenação como de professor. Em ambos os casos, este profissional lida com e como professores de Matemática e suas concepções.
O texto abaixo, da Universidade de Lisboa, poderá contribuir para o enriquecimento da formação crítica deste profissional:
2 comentários:
O texto de João Pedro da Ponte é um material bem denso de conceitos e reflexões, a respeito de diversas temáticas que envolvem a relação Docência e Matemática. Destaco aqui, alguns pontos que mais me chamaram atenção, na leitura do mesmo.
* Quanto as “Teorias do saber” [p.5]
Ele reforça, muitas coisas que já vi no decorrer do curso sobre as correntes que falam sobre a natureza do conhecimento, o empirismo; inatismo e o construtivismo. O que me instigou foi o fato como o construtivismo foi mencionado, de forma criticada onde o mesmo “diz pouco e deixa muito por dizer”, segundo Kilpatrick e pelo que percebo o Pontes partilha da mesma idéia, isso foi de encontro as concepções que construí e vem construindo ao longo do curso, sobre esta corrente, que é muito bem quista e é o alicerce de muitos trabalhos pedagógicos. O autor nos mostra muitas indagações e possíveis brechas, que essa teoria traz imbricada em si, principalmente no que diz respeito a sua relação com a filosofia da matemática.
* Sobre as “Características fundamentais do saber matemático” [p.11]
Fiquei surpresa ao ouví-lo mencionar que a “matemática é uma ciência em permanente evolução”, até então não concebia a matemática como tão aberta a mudanças assim... Posso estar equivocada, mas assim pensava. Pois percebo que os professores transmitirem os saberes formais desta disciplina, de uma mesma forma, mesmo com o passar dos tempos, e, no entanto não noto uma evolução em suas metodologias, o que me remete a pensar nesta disciplina como estática, por isso um tanto quanto desestimulante, compreendê-la em sua essência.
* Em “as concepções dos professores sobre a matemática” [p.18]
Destaco a seguinte colocação “Os professores tem uma cultura Matemática reduzida, isto é, sabem pouco a cerca da História e Filosofia desta ciência”. De fato, em nossos cursos de formação inicial, pouco ou nada se vê sobre, esses dois aspectos importantes, é uma falha lastimável, eu mesmo não conheço muito sobre esses dois aspectos no que diz respeito à Matemática.
* No tópico “concepções e práticas” [p.24]
As questões levantadas no início do tópico me deixaram um tanto quanto intrigada, e tentada a tomar uma daquelas alternativas, como resposta. Onde acredito que as concepções determinam nossas práticas docentes.
Outro aspecto interessante que notei nesse mesmo tópico, foi quanto à resolução de conflitos por professores, de um dado estudo. Onde o autor traz a seguinte constatação “A resolução de conflitos poderá processar-se por duas formas fundamentais: por acomodação [procura-se a solução mais econômica, para resolução de um conflito] ou por reflexão [procura-se resolver um conflito de diversos ângulos, faz-se intervir elementos teóricos, e pesa-se os prós e contras de diversas soluções], ou seja, tenta-se resolver os conflitos de forma mais elaborada e um tanto quanto mais trabalhosa. Compreendo que, por muitas vezes nós professores, nos pegamos na resolução mais fácil das coisas, abdicando assim de uma reflexão importante, na tentativa de resolução de um conflito.
* Em “Como mudam as concepções” [p.26]
Pude notar que, é deveras complicado, mudar ou fazer com que as pessoas mudem suas concepções, uma vez que essas estão enraizadas em cada indivíduo, e mais difícil ainda é fazer com que o professor, reveja sua prática, entendendo-a como problemática e sujeita a mudanças. É um movimento necessário, mas pouco praticado. Eu espero estar aberta a mudanças no exercício de minha profissão...
* “Novas tecnologias e mudança educativa” [p.31]
Neste tópico foi o que notei mais aspectos, com as temáticas faladas em sala até o momento, onde houve um destaque quanto ao utilizo das novas tecnologias atreladas ao ensino da matemática, aonde o uso de computadores vem como uma alternativa marcante no desenrolar do processo de ensino-aprendizagem do século XXI. E para tanto se faz necessário, que estejamos por dentro dessa cultura digital.
* Na “conclusão”
O autor traz algumas falas procedentes e infelizmente reais ao mencionar que “os professores constituem um grupo profissional em crise”, que o “sistema educacional é renitente a mudanças” e que a cultura docente é essencialmente individualista e defensiva. São aspectos que marcam nossa área, mas que espero eu, que venham a mudar.
Enfim como disse, o texto é muito denso e possui muitos aspectos interessantes de serem mencionados, esses foram os que mais me chamaram atenção e os trouxe para compartilhar com os colegas, espero ver as indagações de vocês também.
Bons fluídos para nós.
Gláucia Silva :D
Gláucia,
Fantástico o seu comentário, pois mostra que o texto levou a reflexões profundas sobre várias questões. O prof. Ponte desenvolve estudos sobre vários aspectos da Educação Matemática. Seus textos são sempre recheados de boas fundamentações e provocações.
Vou postar um texto do prof. D'Ambrosio tão provocativo quanto para que possamos refletir bem sobre questões que implicarão nas nossas concepções e, conseqüentemente, em nossa prática, no que se refere ao ensino da Matemática.
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