Planejar é antecipar mentalmente uma ação a realizada e agir de acordo com o previsto. Planejar ajuda a concretizar aquilo que se almeja e o que planejamos é possível acontecer e podemos interferir na realidade.
Por que re-significar?
Quando algo na nossa rotina pedagógica não vai bem é hora de buscar fazer algo pelo menos diferente daquilo que não estamos mais satisfeitos.
Resignificar implica em resgatar sua necessidade e possibilidade tanto no nível mais geral quanto no mias específico da atividade de planejar.
Planejar prescreve então:
1- querer mudar algo
2- acreditar na possibilidade de mudança da realidade
3- perceber a necessidade de mediação teórico-metodológica
4- vislumbrar a possibilidade de realizar aquela determinação
O ponto de partida é reconhecer a necessidade de mudança. Não existe nada tão bom que não possa ser melhorado ou aperfeiçoado. Pensar de maneira diferente que esta é alienar-se e descompromissar-se com a sua própria prática pedagógica. Não é possível re-significar o planejamento em si, isolado de resignificação de estar no mundo e de toda a prática educacional.
O fundamento mínimo para o planejamento está no compromisso( desejo, ética e responsabilidade) e na competência ( capacidade de resolver problemas).
Numa concepção libertadora , sujeitos, projetos e organização devem se articular a partir do fundamental, que são as pessoas, construtoras e destinatárias da libertação.
O planejamento só tem sentido se o sujeito coloca-se numa perspectiva de mudança. È preciso sair do modelo de reprodução para o modelo de investigação. E para tanto o professor precisa se colocar como sujeito de processo educativo.
O desejo de fazer algo diferente é o combustível para toda atividade transformadora. A ação humana, simbólica ou material, se caracteriza por ser motivada; para agir, o sujeito precisa desta energia deste ' querer', porém querer apenas não basta, o sujeito precisa considerar sua realidade e dentro dela transformar esse querer em poder e fazer. O forte interesse pelos resultados envolve o sujeito no planejamento a fim de garantir o máximo de êxito. Assim, querer é condição necessária para começar a criar um novo poder, afim de enfrentar os poderes estabelecidos, mas não é suficiente. O professor precisa superar o processo de alienação. Porque o planejamento também é uma questão política, visto que envolve posicionamentos, opções, jogos de poder, compromisso com a reprodução ou com a transformação, etc.
O planejamento deve aparecer como necessidade do professor!
Entretanto, o professor precisa ter consciência de que as mudanças não se dão apenas espontaneamente nem por boa vontade. Se desejamos uma educação democrática, temos que ter um projeto bem definido nesta direção.
A perspectiva de superação implica a mediação teórica que deve dar conta da qualificação da ação de intervenção e da complexidade do campo da ação.
A ação é o elemento fundamental definidor dos sujeitos e das instituições. Contudo a ação a ser desenvolvida não pode ser qualquer, já que a realidade não é qualquer e não queremos uma mudança qualquer. A ação humana consciente está sempre pautada numa certa elaboração teórica.
A prática nunca deve estar desvinculada ada teoria nem vice-versa. O ideal buscar a práxis – atividade teórico-prática; ou seja, tem um lado ideal, teórico, e um lado material, propriamente prático, com a particularidade de que só artificialmente, por um processo de abstração, podemos separar, isolar um do outro.
Considerando a realidade do professor , até que ponto seria possível planejar? Para que uma nova prática ocorra, é preciso que simultaneamente se articulem tanto condições subjetivas- clareza de proposta, necessidade, motivação, etc.- quanto condições objetivas – certas disposições concretas da realidade a ser trabalhada.
PLANEJAR: por quê? Para quê? para quem? E como?
Portanto, planejamento é sempre uma aproximação, uma tentativa, uma hipótese; não pode se transformara em algo dogmático que mate, ao negar o movimento do real( que é sempre muito maior do que qualquer possível explicação ou previsão) ou própria intuição( por paradoxal que possa parecer). Deve estar sempre atento e aberto à realidade ( exterior e interior: fluxo , relações, contradições, desejo, etc.). A perspectiva é de um planejamento mias humilde, menos pretensioso de abarcar a totalidade da prática, nos seus mínimos detalhes, tendo em vista que tudo que é fechado/ determinado demais acaba expulsando o humano. Na nossa contingência de seres históricos e limitados, precisamos de pontos de apoio e referência para nos movimentarmos; mas isto não pode impedir de caminhar ou de trilhar novos caminhos!
Olá, pessoal esse material faz parte do texto de Celso Vasconcellos, no livro Planejamento: Projeto de Ensino - Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico, São Paulo: Libertad, 2005. Li e achei que seria de grande proveito. Essa é uma adaptação do texto.
Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Catia
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
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3 comentários:
Catia,
Achei o texto muito interessante, sou fã de Celso, o texto mostra que Re-significar é perceber a necessidade de mundanças e acima de tudo desejar que elas ocorram. O professor não pode ficar alheio às realidades, precisa se posicionar, pois como disse Celso o planejamento é uma questão política.
Cris Bueno
Oi catia,
muito bom o texto.A leitura dele me fez relembrar uma experiência que tive com CEB-1.Onde a equipe docente não levava a sério a atividade de planejamento, elas eram reprodutivistas, acríticas e sem qualquer tipo de aprefeiçoamento(as questões diárias), de tarefas e abordagens sem significação para os alunos.Eu concordo muito com a abordagem deste autor, na certeza de que toda prática educativa, formal ou informal,esconde questões políticas.
Patricia Bispo.
Cátia,
O texto aborada um assunto que é o "dever de casa" de todo professor: o planejamento. Isso porque nossa ação docente é sempre intencional e deve ser previamente pensada, mas com flexibilidade e bem fundamentada.
Por isso, em breve, teremos nossa oficina de projeto que pretende contribuir ao exercício do planejamento´.
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