segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bons leitores são bons alunos em qualquer disciplina

Turma,

Escontrei essa matéria no site da Nova Escola e decidi compartilhar com vocês. Acho que está de acordo com nossas discussões em sala dos últimos dias.

Boa leitura!

Simone C. Cerqueira.


Trabalhar redação e leitura é tarefa de todos os professores, não só dos que lecionam Língua Portuguesa. A capacidade de entender e produzir textos é fundamental em qualquer disciplina, de História até Matemática. Cada área tem textos com características específicas e não dá para deixar tudo por conta do professor de Língua Portuguesa. "Não é que agora todo mundo tem de ensinar português e cuidar da correção ortográfica", diz a consultora Maria José Nóbrega, de São Paulo. "Só o professor de cada área sabe se o texto que ele pediu está correto em termos de vocabulário ou clareza da argumentação, por exemplo." É comum o professor de Matemática propor um problema às crianças e perceber que muitas teriam conhecimento para solucioná-lo, mas não conseguem chegar lá porque não entendem o enunciado. "Há alunos que sabem o raciocínio, mas têm dificuldade de escrever e de ler corretamente", diz Kátia Smole, coordenadora do Mathema, empresa de consultoria em educação matemática de São Paulo.
(...)
Na Matemática, o desafio é traduzir palavras em símbolos
A atividade com texto nas aulas de Matemática envolve outros desafios, como a relação entre duas linguagens diferentes as palavras e os símbolos matemáticos. Só o professor da área pode trabalhar satisfatoriamente a combinação de linguagens presente na resolução de problemas. Para solucioná-los, pede-se ao aluno que traduza uma situação inicialmente descrita em palavras para uma forma mais abstrata, composta de números e sinais.
Isso leva a criança a desenvolver habilidades de raciocínio e representação, que ela poderá usar em outras situações, cada vez mais complexas. Resolver uma questão matemática com desenhos pode ser um bom começo para que a garotada das primeiras séries se sinta à vontade no trânsito entre as duas linguagens. Por exemplo: peça que os alunos, por meio de desenhos, distribuam nove lápis em três estojos ou 12 bolas entre quatro crianças.
O trabalho com leitura e escrita em Matemática já pode ser proposto nas primeiras séries. A atividade em grupo é muito produtiva nessa fase, tanto para desenvolver habilidades de comunicação quanto para revelar ao professor e aos próprios alunos o quanto aprenderam e quais dificuldade ainda têm.
A professora Mirela Landulfo, do Colégio Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, utiliza textos nas aulas de Matemática desde a 2ª série. Para ela, essa é a melhor forma de levar as crianças a refletir sobre o que aprendem. Para ensinar tabuada, por exemplo, ela usa jogos e histórias em quadrinhos e depois pede que os alunos escrevam sobre a experiência. Os relatos dos estudantes sobre o Bingo da Tabuada em que eles têm de achar o resultado de uma multiplicação em suas cartelas de números mostraram a Mirela que alguns ficavam atentos às peças do jogo, outros às regras e os demais ao conteúdo matemático. Com base nisso, a professora concluiu que deveria continuar investindo na atividade até que a maior parte da turma constatasse, sozinha, como funciona a tabuada e também avaliasse o próprio aprendizado.
Para que a garotada da 7ª série conseguisse passar aos colegas os conceitos aprendidos, a professora Neide Pessoa dos Santos, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Afrânio de Mello Franco, em São Paulo, realizou uma atividade que envolveu todas as turmas. Primeiro, propôs um problema aos alunos de uma classe. Depois, cada um escreveu uma carta, com indicações sobre a resolução, para um colega anônimo de outra sala. O tal colega mais tarde enviou uma resposta, avaliando as dicas recebidas e contando como solucionou o problema. "O exercício pedia um cuidado especial com o texto e ampliou o vocabulário matemático dos meninos", diz Neide. O empenho das turmas foi tão grande que os professores adaptaram a experiência, com sucesso, para o laboratório de informática. Os alunos ensinaram uns aos outros, por escrito, como desenvolver um software que constrói mosaicos.

O que todo professor pode fazer:
Estimular o gosto pela leitura.
Fazer perguntas e discutir o que foi lido.
Avaliar o aprendizado por escrito.
Mostrar a importância do vocabulário específico.
Incentivar a clareza ao escrever.
Treinar a habilidade de organizar idéias.

3 comentários:

Olenêva disse...

Simone,
Vai aí o link:
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0180/aberto/mt_242060.shtml
Você pode inserir hiperlink na postagem, pois abre espaço à pesquisa.

Metodologia e Ensino da Matemática disse...

Todo educador comprometido com a formação do seu aluno entendera que é de fundamental importância a valorização da leitura e sua interpretação. Como educadores precisamos nos comprometer com o letramento dos nossos alunos, pois acredito que só quando tivermos uma sociedade verdadeiramente letrada conseguiremos transpor os desafios que a contemporaneidade impõe. Arivaldo Bispo

Olenêva disse...

Arivaldo,
Devemos ampliar a nossa visão de leitura de texto para leitura de mundo.
No caso da Matemática, por exemplo, a leitura de texto é relevante à interpretação dos clássicos enunciados dos problemnas, nas aulas de matemática, até a leitura de mundo, para lidar com os problemas do cotidiano.
Lembremos também que a Matemática faz parte da alfabetização funcional.
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